por detrás das máscaras

por detrás das máscaras coube-nos o destino
de viver o sonho de um beduíno
reacender o lume e transcender o pleno
vestir o louco, festejar maldições, reinventar tradições
adorar o instante que repousa saciado na eternidade

pintando o destino

procurei a paleta e sonhei-me pintando o destino.
as cores gritaram, rasgaram sorrisos
e correram bamboleantes para o palco da festa.
lançaram torrentes de cor num curso imparável
marcaram contrastes fumaram e colaram perfis
brindaram à luz sem reservas numa composição de sois
e gozaram à farta o momento trocando-me as voltas.
em pose fintaram os caminhos e sem respeitar a vez
marcaram traços vivos, veios e novas rotas de cor
e tornaram ao meu colo saciadas enfim
assim me sonhei pintando o destino

no veludo do silêncio

espreguiço-me no veludo do silêncio
absorvo demoradamente os sons
que se esgueiram sorrateiramente pelas estradas de pele
e penetram numa sonata de fortes odores nas frestas de mim
sorvo o tempo que já não se veste de espera
gozo este novo tempo de festa e saboreio-lhe os contornos
é bom acordar de novo na nova pele com gosto de amanhã