a visita

estava sossegadinha quase enroscada no banco,encostada ao vidro a tentar não adormecer no quente morno do entardecer. acho que já estava mesmo a dormitar apesar dos safanõesinhos de devez em quando a fazer-nos olhar melhor a paisagem. desculpa canhanga mas acordaste-me. mas ficas tanto tempo sem me visitar, e agora vens assim de repente sem me avisar? eu tinha ficado só com aquela recordação do Umpulo do velho nos tempos de ainda muito jovem a acompanhar as crianças do senhor da loja em frente à administração. sabes que ninguém esquece o mais-velho? ele habita na vida de todos aqueles que preencheu e amou. depois, misturas-me nos sonhos alheios que nem ouso fazê-los meus. sabes que te podes tornar cúmplice de um salto? e sem rede? e que depois nem a coroa de bunganvílias me esperam e não vou ter como voltar?
e agora? dispo-me de faz-de-conta ou a sério? agora fizeste-me mergulhar no verde fundo a pensar no cheiro do mar. é que as lágrimas são mesmo salgadas. não, não são de tristeza. são daquelas silenciosas que se alimentam do estado do espírito e desgovernam o nosso eu que teima ser como deve ser.

4 comentários:

AFRICA EM POESIA disse...

Minha amiga..
A viagem é sempre para caminhar...e vencer...
Gostei de passar por aqui...
recordei os séculos do meu tempo de menina...

um beijo

viajantes disse...

também te tenho visitado e partilhado a saborosa terna e tranquila mensagem feita poesia.
beijinho

Adolfo Payés disse...

Un gusto inmenso conocer tu blog.. es maravilloso..

Te sigo para poder leerte con mas frecuencia..


Un abrazo
Con el saludos fraternos de siempre

Que tengas una buen fin de semana...

viajantes disse...

gostei da tua companhia. vamo-nos encontrar por aqui muitas vezes concerteza companheiro. seria muito triste ter que viajar sozinha. até sempre. bomj fim de semana.