Bi Kyklos
Dois Kyklos.
Vou dizer assim porque sei que vais gostar desta palavra.
Pergunta à mãe, quer dizer duas rodas.
As rodas gémeas que estão unidas para nos levar nas primeiras aventuras do corpo equilibrado em movimento, depois da grande aventura dos primeiros passos.
Dois kyklos que fazes correr quando rodas os pedais.
A mãe contou-me essa tua grande proeza deste fim de semana que me deixou toda derretida.
Eu disse-lhe que estava muito orgulhosa.
É que já dás a volta inteira.
Depois de muita teimosia tua os teus pés não se descolaram e deslocaram os sapatos mágicos que giraram por completo na dança frenética, que tomou conta da rua inteira e deixou os papás todos babados.
E os teus pés ganharam vida agarrados aos outros que se deslocam com a tua energia.
Da Vinci, Lu Ban, ou o Barão Drais, pouco importa.
Quadro, roda, aros, raios, guidom, garfo, selim, pneu, corrente, câmara de ar, guarda lamas, ficaram no nosso imaginário onde cabem histórias que podes ouvir de todos os membros da tua árvore da família.
Chica, Burra, Byque, Bici …
Os tios, os primos, vão contar, e mais as outras dos avós e manos, e amigos, e vizinhos, que falam de tudo e de assuntos que conseguem acompanhar, crianças, jovens e mais velhos. Canucos e cotas todos juntos na mesma viagem.
De tempos de barriga contente e de barriga vazia, ou apenas enganada. Daqueles assuntos que cabem todos em apenas dois kyklos que percorrem asfaltos, poeiras vermelhas e de outras cores e fazem sorrir vidas.
A corrente que saltou, os raios onde se prendeu o pé, o selim onde não se conseguia ainda chegar, o quadro de menina ou de menino, onde vai dar para levar alguém à pendura, as mãos cheias de óleo porque a corrente saltou, a câmara de ar que mergulhou na água para rever o remendo colocado a preceito porque o pneu furou nos caminhos que não vamos contar à mãe, o garfo que não estava direito e ficava tudo empenado, o guidom que se girou para parecer de corridas e que vai dar um sainete, os guarda lamas que numa história do Ondjaki que a mãe te vai falar, até virou bigodes, e a campainha; tquase me esquecia de falar na campainha, mágica de tocar só para fazer banga!
E os caminhos?
Todos vão ter histórias dos caminhos para onde correram os sonhos com dois kyklos, as duas rodas mágicas que já fazes correr nos teus próprios caminhos.
Parabéns Isaac. Estou mesmo muito orgulhosa.
Hoje acordei agarrada ao vento fresco do movimento da tua volta inteira que já deste aos pedais e te levam os joelhos quase ao peito, e pude voar contigo.
Vou dizer assim porque sei que vais gostar desta palavra.
Pergunta à mãe, quer dizer duas rodas.
As rodas gémeas que estão unidas para nos levar nas primeiras aventuras do corpo equilibrado em movimento, depois da grande aventura dos primeiros passos.
Dois kyklos que fazes correr quando rodas os pedais.
A mãe contou-me essa tua grande proeza deste fim de semana que me deixou toda derretida.
Eu disse-lhe que estava muito orgulhosa.
É que já dás a volta inteira.
Depois de muita teimosia tua os teus pés não se descolaram e deslocaram os sapatos mágicos que giraram por completo na dança frenética, que tomou conta da rua inteira e deixou os papás todos babados.
E os teus pés ganharam vida agarrados aos outros que se deslocam com a tua energia.
Da Vinci, Lu Ban, ou o Barão Drais, pouco importa.
Quadro, roda, aros, raios, guidom, garfo, selim, pneu, corrente, câmara de ar, guarda lamas, ficaram no nosso imaginário onde cabem histórias que podes ouvir de todos os membros da tua árvore da família.
Chica, Burra, Byque, Bici …
Os tios, os primos, vão contar, e mais as outras dos avós e manos, e amigos, e vizinhos, que falam de tudo e de assuntos que conseguem acompanhar, crianças, jovens e mais velhos. Canucos e cotas todos juntos na mesma viagem.
De tempos de barriga contente e de barriga vazia, ou apenas enganada. Daqueles assuntos que cabem todos em apenas dois kyklos que percorrem asfaltos, poeiras vermelhas e de outras cores e fazem sorrir vidas.
A corrente que saltou, os raios onde se prendeu o pé, o selim onde não se conseguia ainda chegar, o quadro de menina ou de menino, onde vai dar para levar alguém à pendura, as mãos cheias de óleo porque a corrente saltou, a câmara de ar que mergulhou na água para rever o remendo colocado a preceito porque o pneu furou nos caminhos que não vamos contar à mãe, o garfo que não estava direito e ficava tudo empenado, o guidom que se girou para parecer de corridas e que vai dar um sainete, os guarda lamas que numa história do Ondjaki que a mãe te vai falar, até virou bigodes, e a campainha; tquase me esquecia de falar na campainha, mágica de tocar só para fazer banga!
E os caminhos?
Todos vão ter histórias dos caminhos para onde correram os sonhos com dois kyklos, as duas rodas mágicas que já fazes correr nos teus próprios caminhos.
Parabéns Isaac. Estou mesmo muito orgulhosa.
Hoje acordei agarrada ao vento fresco do movimento da tua volta inteira que já deste aos pedais e te levam os joelhos quase ao peito, e pude voar contigo.
Na ponta dos dedos da minha pele em chama o encanto meigo do sossego que me chama
Sinto o canto
das águas mansas, quando os dedos da minha pele folheiam as páginas enrugadas
do brilho do teu corpo, basto do vigor de tantas vidas plenas de saber.
Na
embriagues do calor do leito banhas-me com o sabor do encanto do sorriso de
cada linha que se me prende em cada poro e me faz estremecer.
Embarco na
aventura e desafio o jogo, o fogo, na força, num quase grito de querer, desembainho
a espada,
E tu invades-me
na ternura, a torrente mais madura, num murmúrio de um choro, quase manso de
prazer.
Embalo-me no
canto doce dos pássaros que rasa o manto áureo que me cobre a noite negra e desponta
a madrugada.
Quero adormecer
no torpor das águas claras
PARA TI
Que se acenda a
escuridão
e venha uma luz
que entenda de
saberes e de vida.
Chegou alguém
que vai passar
e por estes
lados vingar:
fazer do mal o
bem,
da cegueira a
visão
e da tristeza
verão.
Passa mulher
e dá-te para
além de ti.
É esse o teu
destino
e o dos que sob
as tuas asas se abrigarão.
Que o tempo te
seja longo!
Fernando
Carvalho 26
Setembro 2014
É loucura soletrar-te
Vestir o caldo insano de querer-te
Na insana e estreita via da palavra
Onde cala o gosto grito de perder-te
Vestir o caldo insano de querer-te
Na insana e estreita via da palavra
Onde cala o gosto grito de perder-te
Então vou apenas murmurar-te
E ter-te assim no abafo de um sufoco
No folego da longa eternidade de um momento
Pousado nos lábios entreabertos de desejo
Agora já certa vou apenas sussurrar-te
Agora já certa vou apenas sussurrar-te
No andamento das curvas desta estrada
Compasso nas notas breves a contratempo
Sei que estou segura no silêncio que conheço
exercício de (dor) amor
Doi-me a sorte de te ser
sem o dote de te ter
Doi-me a tua vã presença
de tu estares e não te vêr
Doi-me a tua sã pertença
de te ser e não te ter
Ó chão meu, terra sangue,
quente amargo e bem querer
Dá-me o abraço o colo abrigo
fecha a porta e despe o luto
que entre o querer ir e o querer ficar
mora o espaço desta dor,
Ó luz minha, casa escura
quero vêr quero viver
quero estar quero-te ter
quero o espaço deste amor
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