Inventem-se afetos
recados, pecados, aconchegos, desejos
à forma à luz de cada gesto
sei apenas que te darei em cada dia
para que guardes ao teu jeito
o regaço onde te acolho
este leito em que te deito
para cura dos teus escolhos,
o quadro onde repousa toda a luz do meu sorriso,
A moldura do meu peito
É loucura soletrar-te
Vestir o caldo insano de querer-te
Na insana e estreita via da palavra
Onde cala o gosto grito de perder-te
Vestir o caldo insano de querer-te
Na insana e estreita via da palavra
Onde cala o gosto grito de perder-te
Então vou apenas murmurar-te
E ter-te assim no abafo de um sufoco
No folego da longa eternidade de um momento
Pousado nos lábios entreabertos de desejo
Agora já certa vou apenas sussurrar-te
Agora já certa vou apenas sussurrar-te
No andamento das curvas desta estrada
Compasso nas notas breves a contratempo
Sei que estou segura no silêncio que conheço
exercício de (dor) amor
Doi-me a sorte de te ser
sem o dote de te ter
Doi-me a tua vã presença
de tu estares e não te vêr
Doi-me a tua sã pertença
de te ser e não te ter
Ó chão meu, terra sangue,
quente amargo e bem querer
Dá-me o abraço o colo abrigo
fecha a porta e despe o luto
que entre o querer ir e o querer ficar
mora o espaço desta dor,
Ó luz minha, casa escura
quero vêr quero viver
quero estar quero-te ter
quero o espaço deste amor
São bilros.
Só podem ser bilros.
Este emaranhado pensamento
Num perfeito encadeado de momento
No repouso no rebolo de pano tosco
Chão de vida, grossa palha ou algodão
Soberbo corpo, fina malha em veste de cambraia
Existência que repousas a cabeça na almofada
Assente no chão duro, estrado, forma,
base, casa, cama, tábua, enredo, armada
alma à altura do trabalho nobre e fino
nasces das mãos da pequena rendilheira
É a vida que cresce e corre no rebolo deitada
Sobre um lençol mansamente perfurado
No pique se desenha a vida em pequenos sulcos
Onde se apraz a rendilheira
Na base se espeta os alfinetes à medida da lida
Onde se deleita a rendilheira
No palco em que manobra as linhas, na dança, no jogo, no fogo cruzado
É a seda pura, o fino ouro, a doce prata, ou alvo linho
Na perfeição da geometria do complexo e delicado bordado
E em gestos simples avança a rendilheira
Jogo de mestria aos pares em contornos e volteios
torcidos, entrançados, movimentos compassados
alternados, rotativos, ritmados e cadentes
nos fios cruzados do destino das esferas
É a vida que surge das mãos da rendilheira
no rebolo, no pique, na tela, cartão de cor de açafrão,
no fogo, da teia, na dança dos pares, de linhas em jogo cruzado,
A renda, a pena, a graça ou luxo, da vida que enfrenta as feras
porque é de bilros
porque só podem ser bilros
no 28 de junho
A 28 os 28, assenta-te bem
Casam-se os anos como se fala
e na procura do significado
vi-me a caminhar pelos trilhos dos gregos antigos
e os vi primeiro na limitada fórmula de Euclides,
no neopitagórico Nicômaco, e neste jogo encadeado
cheguei à que dizem ser a actual sequência A00396 na OEIS,
combinação que me falaram ser a chave do numero perfeito par,
E assim me chegou o 28: =1+2+4+7+14 , assim te faço chegar
para que o possas levar ao Isaac, não te esqueças
Pois assim te revi no rigor da matemática,
Podes contar-lhe a história do número perfeito par
Chamaram-no o número triangular, perfeito, par,
de que me falou pelo caminho o Gauss
que me disse estar representado por um triângulo equilátero.
E passeei pelos que figuram como nascidos nesta data,
e na procura vi muitos retratos e perfis, imagens que perfilaram
e entre muitos outros vi desfilar o Henrique VIII, Rubens e Rosseau.
E folheei as suas paginas onde situei louros e honras
e marcos de história, transformação e viragem
Mesmo nestes não chegava, nem de perto, nem de longe
o que te distingue na coragem, tenacidade, e enorme bondade meu amor,
aquela que te sei querer extravasar o coração da casa,
o teu céu, o teu castelo, e capaz de abraçar um mundo.
Recordo então que o que deram como Ano Internacional da Paz
nasceu no ano em que nasceste pelas união de nações .
Revi-te-te então por aí
agora no rigor da determinação de um caminho que persegues
em ideais de um propósito de amor e de justiça
da paz que queres construída por todos ao teu redor
Hoje neste 28, em que se cumprem os 28 verões
anos casados como falamos, do perfeito par
Neles saboreio afinal a quente ternura na plena felicidade
onde abro o colo com espaço largo, teu porto, e meu mar
onde abro o colo com espaço largo, teu porto, e meu mar
lar de abrigo, espaço ainda e sempre perto, dos nossos corações.
Orgulho-me de ti minha filha.
Parabéns querida!
no 2 de julho
No teu 6º Aniversário - Parabéns meu neto
Hoje o meu coração é um arco-íris
De sete cores em arco a abraçar o meu peito
No tom do mais bonito arranjo
num bouquet de sete notas
que nunca alguém alguma vez,
se julgaria capaz de compor,
ou ousaria algum dia inventar.
Acordei contigo meu amor.
Com a luz colorida que dás ao meu mundo,
no mais belo quadro de sol
em pinceladas fortes na tela de água,
a vestir o ar que me dá vida.
Agora, que já me sabes guiar em passos pequenos
Num espaço gigante feito ao tamanho dos teus seis anos,
A meia dúzia que já passa de uma mão inteira,
Do percurso já de muitas coisas como um alfabeto inteiro,
Da viagem pela grande magia da escrita,
do preencher de um quadro, uma folha inteira
dos lugares da palavra, da frase e do parágrafo
Do desafio da fonética, para ti em três registos distintos
De todos os números, das grandezas e sucessões,
na grande incursão no mundo matemático.
Do domínio das artes na entrada na geometria
Que já define os objectos do teu mundo
Dos saberes sobre os dias da semana, das estações do ano,
de grupos e categorias das mais diversas coisas,
da diversidade do planeta e do grande reino animal,
de texturas, sons, cheiros e fantasias de um imaginário só teu
Do saber do amor
A mãe, o pai, os tios, a avó os primos em cada cantinho
Do teu maravilhoso universo
Hoje o meu coração é um arco-íris
Nas sete cores em arco a abraçar o meu peito
Paleta que te reservo hoje, só para ti,
Com a ternura da cor das sete notas
Da mais bela melodia que compus para ti
Parabéns meu neto
Hoje o meu coração é um arco-íris
De sete cores em arco a abraçar o meu peito
No tom do mais bonito arranjo
num bouquet de sete notas
que nunca alguém alguma vez,
se julgaria capaz de compor,
ou ousaria algum dia inventar.
Acordei contigo meu amor.
Com a luz colorida que dás ao meu mundo,
no mais belo quadro de sol
em pinceladas fortes na tela de água,
a vestir o ar que me dá vida.
Agora, que já me sabes guiar em passos pequenos
Num espaço gigante feito ao tamanho dos teus seis anos,
A meia dúzia que já passa de uma mão inteira,
Do percurso já de muitas coisas como um alfabeto inteiro,
Da viagem pela grande magia da escrita,
do preencher de um quadro, uma folha inteira
dos lugares da palavra, da frase e do parágrafo
Do desafio da fonética, para ti em três registos distintos
De todos os números, das grandezas e sucessões,
na grande incursão no mundo matemático.
Do domínio das artes na entrada na geometria
Que já define os objectos do teu mundo
Dos saberes sobre os dias da semana, das estações do ano,
de grupos e categorias das mais diversas coisas,
da diversidade do planeta e do grande reino animal,
de texturas, sons, cheiros e fantasias de um imaginário só teu
Do saber do amor
A mãe, o pai, os tios, a avó os primos em cada cantinho
Do teu maravilhoso universo
Hoje o meu coração é um arco-íris
Nas sete cores em arco a abraçar o meu peito
Paleta que te reservo hoje, só para ti,
Com a ternura da cor das sete notas
Da mais bela melodia que compus para ti
Parabéns meu neto
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