O que resta da vida se guarda naquela que queremos
No encontro da tida com a que nos resta, nascida bonança.

O que fica da vida se aguarda naquela que cremos
No espaço da tida com a que nos presta assim o sabemos

Tecida de afeto, coragem, regresso, sucesso, esperança
vestida de novo futuro, inventado, esperado, assim (a)guardado

Colhida, do filme sonhado, sentido, mantido, calado,
no sonho esperado, criado, agora vivido
em desejo, turpor (n)a(r)dor permanente

Ao grito da angústia que clama no sopro do fundo do rasgo do peito
esculpido, sustido, na chama, rasgado, investido
responde o desejo do quente veludo do colo do leito

Fiado caminho, rendado, rendido, escolhido,
sossego sussurro, revolto tornado, tornado presente.

C sustenido no compasso da #Idade


Ainda na descoberta, entrego-te a minha cidade
descarnada e nua, onde te quero perdido no teu encontro 
e tento tomar-te e tornar-te minha, tua cidade de mistério 
na mistura de caminhos onde me quedo na inquietude
do desassossego tranquilo da nova nossa cidade
assim te tenho, assim te espero, cidade nossa, 
na nova nossa cidade


missivas do sul

Nesta passagem de testemunho que teimo vincar a cada passada num ritmo dengoso de vida saboreada em longos tragos em provas de muito mel e rasgos amargos que costumo temperar com gargarejos de doces licores tirados de arco íris gigantes que aprendemos desde cedo a puxar do fundo da alma e nos fazem gingar nas voltas, mesmo as trocadas, acertando o passo a cada passo com brilho de purpurinas num olhar brincalhão em esquindivas marotas do alto dos nossos passos nos arranha-céus da imaginação que passeia nos Olimpos perfumados de acácias e atapetados de veludos carmim, trazes-me meu filho, o doce sabor tranquilo de sentido de dever cumprido, com missivas de um olhar desperto, maduro de saber.
Assim te ouço com a voz inesquecível do querido Pinheirinho a sobrepor-se no desalinho das memórias: - O leão mostra a sua raça! E a vê-lo de guarda-chuva pendurado na gola a endireitar-lhe o corpo em contrapeso, no passo trauteante a clamar a vitória dos lagartos e sinto o cheiro do chá feito manjar que nos deliciava nos espaço estreito onde cabíamos dez…



“mando-vos este vídeo uma vista de onde me encontrava, num hotel na ilha! 
Cá de cima vi uma realidade que conheci de muito perto quando visitávamos a tia ali nas barracas na Abóboda! 
o Jocas nao se deve lembrar mas eu lembro-me de passar por ruas estreitas como estas e de brincar com os primos a correr como se fosse uma aventura.. 
lembro-me de ver galinhas... de ver lama... de ver pessoas a lavarem-se na rua.. lembro-me que almoçávamos na casa da tia num espaço que não cabiam mais que 3 pessoas e nós éramos 10..
Patrícia, lembras-te disto? lembro-me de correr por entre paredes estreitas com pequenos riachos de agua por baixo.. 
E lembrei-me disto porque nós não éramos infelizes.. bem pelo contrario.. 
hoje comentavam uns amigos meus: "como é possível? que pobreza... nunca conseguiria viver assim..." 
Nunca nos esquecermos de onde viemos mana... eu pensei cá com os meus botões... eu não me importava de viver ali... 
beijos grandes a todos! "

Assim te ouvi e conservei a memória ... 






9 de setembro - vou seguir o so(u)l

Neste percurso feito com um bálsamo especial vou revelar o que nos ajuda a caminhar e que traduz este estado de alma que se reflecte no brilho do sorriso dos meus olhos. 
Vou dizer dum toque mágico dum destes dias de jornada, que se propagaria por toda a casa da minha alma, vindo do triângulo que me sustenta e que falava assim em nome das três fortes bases para me presentear e parabenizar. O som longo e profundo que enchia o meu peito, tomava conta do corpo e soltava o rio quente e salgado que descia as curvas do meu rosto. Verdadeiramente enternecida, achei quase que já se cumprira o dia da jornada da vida e podia adormecer...
  
"Este 9 de Setembro é diferente.. se não me falha a memória, é a primeira vez que te vejo ao longe.. a primeira que não te dou um beijo de manhã de parabéns ou ao fim do dia quando chegas do trabalho. O jocas não está a pôr a mesa a preceito, nem a patricia a tentar desenrascar-se na cozinha com um cozinhado especial para este teu dia.. mas não fiques triste mãe. Este ano trouxe-me para o teu berço de menina e eu, ainda menino, estou a aprender a caminhar como me ensinaste. "o caminho faz-se caminhando.." dizes-me sempre.. 
olha para o caminho que já percorreste mãe... olha para trás e sorri... 
ouve... porque o avô e a avó te dizem: "parabéns minha filha.. estas a ir bem" 
Eu não podia estar mais orgulhoso de ti...de quem és e do que fizeste por todos.. não apenas eu o jocas a patricia e um neto... mas todos aqueles a quem brindaste com o teu exemplo, com a tua alegria, determinação e até com as tuas fraquezas... até essas todos admiramos em ti.. 
mãe, digo-te todos os anos e este não será diferente... Amo-te com todo o meu coração.. Tem um dia feliz! em breve estaremos juntos. um grande beijo"

não posso adormecer, vou seguir o so(u)l
Obrigada meus filhos


Sinto o clamor da terra vermelha que me chama



Sinto o clamor da terra vermelha que me chama

Escuto o som fruto maduro, corpo candente
cavado nos sulcos da terra do meu peito
plantado firmado no catre dolente, caverna de silencio onde moro
E aguardo o seu florir de rubra tinta, na madrugada que me espera
vestida de véus de sóis e chão ardente, no meu salão fado destino

Sinto já seu o timbre incandescente de futuro
onde escorre vibrante aceso no corpo cama em que me deito
caudal, torrente ardente, chama lama   
lava que reveste o fundo dos degraus em que pernoito
e me veste de acácias púrpura o caminho de regresso

Sinto o clamor da terra vermelha que me chama


licor violeta

Lambo a chama
E saboreio o ardor que se passeia
Nos contornos onde o afago da língua o acalenta
E em gestos intermitentes valseia e adormece

Bebo-lhe o sumo, néctar quente
Acompanho entre volteios o interrupto trauteio
Aconchego os gestos no ondular de cambiantes
Do espectro licor violeta que me seduz e embriaga

Abraço o som com que me visto
E de um trago guardo a chama a luz a força e o sentido
Do meu destino parido em jeito gingado
No dengo, meneio, requebro e compasso,

Fintado laçado e feito para mim