para a mãe

Um bouquet de rosas para ti
- rosas vermelhas brancas
amarelas azuis -
rosas para o teu dia

Suavidade e frescura
das curvas ansiosas da terra
e a exaltação poética da vida
- suavidade e frescura para o teu dia
(…)
Um bouquet de rosas para ti
- rosas vermelhas brancas
amarelas azuis –
rosas para o teu dia
e Vida! – para o teu dia
envolvo-os carinhosamente(…)

Para ti nos cantinhos da alma
http://www.agostinhoneto.org

tenho um vestido garrido de barras de cores

tenho um vestido garrido de barras de cores
onde escondo os sonhos de muitos autores
teatros bandeiras festejos e coroas de flores
recados retalhos conversas vividas sabidas de cor
que guarda histórias e velhos segredos de muitos amores
pecados de almas diversas vestidas, despidas de dor
eu tenho um vestido garrido de barras de cores


tenho um vestido garrido de barras de cores
onde repouso de dia a noite enfeitada de fitas de dor
que clama por glórias, votos achados e desejos vencidos
promessas, vitórias, de amores calados de fés despedidos
pecados, retalhos, conversas mantidas, ao som do calor
que guarda histórias e versos lembrados de tantos amores
onde pouso a vida em novelos de fita de seda de cor
eu tenho um vestido garrido de barras de cores

ponto cruz

Nas estradas poeirentas da sorte
Bebi um dia a morte num cálice feito concha de mãos
Sentei-me no norte e despedi-me do sul, exausta de mim
E de olhos fechados pendurei-me no abismo da dor
Afagando as chagas com lâminas frias aguardando o fim

Quis então o destino mostrar que era mais forte
E mostrou-me a cruz da esperança enlace doce
Num ponto de cravo vivo urdido e fechado de um norte
Cruzado com um fio de luz bordado em chama quente de sul

adianta-me agora

Adianta-me agora
O sonho, a busca, o desejo de ficar.
Adianta-me agora
O sentido sentido, da partilha do espaço
Que fizemos temperado, com gosto de amanhã
Adianta-me agora e de novo
O sonho, a busca, o desejo de ficar.
Adianta-me agora amor, o futuro

Vem-me buscar

Vem-me buscar.
Quero aninhar-me no teu leito
Descansar nas ondas do teu mar
Colar ao teu o meu odor
Viajar nos teus sonhos com cheiro de mim

Vem-me buscar amor,
Quero enroscar-me, colada ao cheiro do teu peito
Dançar descalça no balanço das ondas do teu mar,
Coser no teu o meu amor,
Viajar contigo nos teus sonhos de fúria, encanto, loucura e cor.

Vem-me buscar amor,
Faz-me ficar,
Entranhar na bacia da tua mata de mistério
Embrenhar-me nos espaços do teu rio
Que revisitaste agora a pensar em mim

Vem-me buscar amor... faz-se tarde.

A comenda

Ficou colado ao banco
exausto de mil investidas
na pretensa cavaqueira
em jeito despretensioso
mas carregado de intenção.
Do muito que disse então
ficou muito por dizer
agora digam lá meus senhores,
a causa de tal omissão
nesta que era dita uma empresa
de tão grande dimensão?
Falo de muros quebrados
nobres costumes, e transformações
estados ditos de direito
homens de muitas razões,
passeio por lugares diferentes
em tom de grande sedução
erguendo sempre a real taça
da glória de tal nação.
Vestida com vestes de festa
orgulho de tal dimensão
por filhos dotados criados
na seio da tradição
fui desfiando glórias,
cantos, louvores e vitórias
e em tão grande proporção
que foi mantido o carrasco
dentro da caixa selada
a salvo de considerações.
Agora digam lá meus senhores
a causa de tal omissão
Quem sabe por r(d)ores de razões
que nos apagam memórias
de cansaço de contendas
contra o vilão gordo e seboso
que teima ter sempre razão.
Aquele que nos veda o caminho
quando desde tenra idade nos impõe diferença
para com outros bichos como nós.
Escondi feridas já saradas,cicatrizes,
amargos de sal em faces secas,
veladas dores suportadas por firmeza.
Dourei a pílula, como quando cantamos o choro
Deixei que me tolhesse a razão,
Inventei a pedra roseta, atingi a perfeição,
quando escondi o carrasco, inebriada pela paixão.
Agora digam lá meus senhores
a causa de tal omissão.