a cunha

estava ontem na pausa a jantar e apanhei mais ou menos isto do passageiro que estava na outra cabine numa amena cavaqueira. era o Júdice mais um consultor e outros que não registei, mas esta ficou. tinha a ver com corrupções e corrupçõesinhas. as grandes e as pequenas se se poderá rotular assim. aqueles que se viciam no "jeitinho", não pagam mais do que um imposto dizia o Júdice. é que por vezes até pagam o imposto por coisas a que têm direito e a que teriam mesmo sem pagar. pela boa disposição, amabilidade, celeridade, competência do servidor (do estado por ex:) o servido (cidadão) paga imposto... e nem seria preciso. deixou-me a pensar durante o resto da viagem, afinal a cunhasinha não será mais que um imposto.

gestão conceptual

entra um fulano com um cartaz, diz que entra numa corrida mas não defende o ideal, pois a vantagem está em entrar primeiro, custe o que custar. então acotovela todos os outros, empurra, pisa, resmunga, berra, mas o que importa? todos fazem o mesmo... fazer figura? ninguém repara, já é normal, o que interessa é confundir. não interessa para onde é a corrida, o que levo na bagagem e se vai alimentar as almas. também já ninguém quer saber dos conteúdos. interessa mesmo a forma. vertical, linear, profile, minimal, glamour, e outros afins. gestão conceptual o alimento do espírito pobre ou do pobre de espírito. tudo isto porque é tempo de campanha(ã)

amigo ary

no dia em que me cruzei com ele tive a certeza de que nunca me abandonaria. as palavras soavam bem. tínhamos sentimentos de palavras comuns, assim se encontra (faz) novos amigos. assim fiquei sua amiga como tantos que ele tem sem conhecer. assim, amigo ary a maior parte dos teus recados passei-os aos filhos e aos amigos mas digo-te que este, eu repeti muitas vezes:

SONETO PRESENTE
Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.
Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.
Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.
Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que for o meu.

De que cor é o silêncio?

Tia, diz a pequenita do escuro brilhante dos seus olhos, bem em cima dos seus seis anos, e com a esperteza de quem já se passeia de Magalhães; - de que cor é o silêncio, tia? Olhei-a, e deixei escapar a resposta que mais se aproximou do que mais perto se encontrava no meu baú de memórias: - silêncio é de ouro, ouro, é ouro respondi. Não tia, retorquiu ela. É verde! Afirmou com tal segurança, que me deixou estupefacta. Verde? interroguei. Sim tia, é que por exemplo, explicava ela, a tulipa é vermelha, mas se virmos bem, também é verde, o caule é verde, mas não fala, está calado, como o verde do campo com as flores coloridas. Então, o silêncio é verde!... Olhei-a com os olhos arregalados, a que me respondeu com um sorriso rasgado e zombeteiro; - Não fui eu que inventei, ouvi contarem esta história de um livro, quando fui no outro dia a uma visita à biblioteca. Respirei de alívio, a miúda era normal.

sorrisos e imagens luminosos

apanho-me de vez em quando a sorrir... dirão os que me conhecem; - também não será assim tão difícil... pois; mas hoje o motivo é de tal modo agradável que me faz sorrir sempre da mesma maneira, daqueles sorrisos luminosos, que fazem bem, sabem? sabem bem! - de uma maneira e de outra, saber e sabor. Pois o motivo é óbvio, já recebi algumas fotos do casamento da neusinha, estou a sorrir... só com alguns flashs. agora fico toda roída para ver os restantes.

mnemonicando

estiveram a limpar o estaminé, o chão ainda está molhado, limpo, cheiro, sonasol, festa, festa? jantar, entrada na divisão, alegria, limpeza, interior... desabafo, descanso, sossego, conforto, cheiro, bom... tá-se bem!

seguindo... encontros

SINTO-ME ANCORADA NO PRESENTE....NÃO FOI POR MINHA VONTADE! O BARCO BATEU NO FUNDO E ESTAS ÁGUAS NÃO TÊM MARÉS....PERMANEÇO SENTADA, OLHANDO A VIDA A PASSAR.... O PASSADO FICOU DISTANTE POIS SABE QUE AGORA NÃO O QUERO VER.... O PRESENTE PAIRA NA MINHA FRENTE, MUDANDO DE CÔR E DE FORMA A CADA MOMENTO....NÃO ME ADMIRO POIS APENAS ESTÁ A MOSTRAR-SE O QUE É....QUANTO AO FUTURO.....TALVEZ SEJA AQULE NEVOEIRO ALI AO FUNDO. VAI-SE BALANÇANDO COMO SE NÃO SOUBESSE PARA ONDE SE DIRIGIR....TAMBÉM ESTOU SEM CURIOSIDADE DE CONHECER O SEU RUMO. EU APENAS ESTOU AQUI, ANCORADA NO PRESENTE, SEI QUE POR ALGUM TEMPO, NÃO SEI QUANTO....ATÉ A ALMA ME ENSINAR COMO TIRAR O BARCO DESTE PONTO....NÃO FAZ MAL....JÁ NÃO ME INTERESSA....