o meu paraíso

Para cada sítio onde vá, onde estejam os meus filhos, vejo um paraíso. Fui ao Dubai e vi um Paraíso. Fui a Luanda e vi o Paraíso, agora Londres e de novo o Paraíso. Em resumo, o paraíso estará sempre onde estiverem os meus filhos. Ainda que não exista, eu construo. Só assim o posso entender. Assim, se me preguntarem onde está o paraíso eu irei responder: - O Paraíso está onde estiverem os meus filhos

28 de julho - meu triângulo de força

no equilíbrio perfeito
vocês fazem o caminho
assim vos vejo pertença do mundo
criando espaços, colorindo mundos...
alargando e inventado universos

assim me vejo povoando e revisitando mundos
calcorreando espaços e universos novos
criados, inventados, renovados, destinados.
no equilíbrio perfeito
um novo caminho
meu triângulo de força

nossas conquistas - no mercado de arroios - via vai - veio em maio e continua a bombar

Via Vai – no mercado de Arroios à sua espera o mestre André

Escolhidos os elementos

Tratava-se de os organizar
Pela simplicidade a escolha da matéria

Água sal farinha para lhe dar corpo e consistência
E os pequenos elementos que atuam no corpo
E criam as bolhas de gás carbónico que lhe fazem inchar
E crescer a alma onde lhe fica o efeito,
Na porosidade, sabor e aroma que lhe confere a identidade

Crescer e maturar na liberdade de um ambiente acolhedor
Temperatura e humidade relativa do espaço habitado
Espaço livre da cama onde repousa na espera das mãos sábias que lhe darão forma

A espessura, depois aliada aos sabores, no cunho da tradição
A arte engenho e mestria a marcar a diferença no efeito

Adicionados os ornamentos de apelos aos mais apurados sentidos
Com velados retoques de verdes segredos da grande arca da terra
Eis que pronto o significado de redobrado cuidado
pelas mãos hábeis segue elevado na grande pá
para o destino esperado,

O ventre ardente, onde a têmpera vai enfrentar o fogo
para o milagre da alquimia da matéria
no resultado da criação

Via Vai – em Arroios à sua espera o mestre André

nossas conversas - foi assim no 28 de abril e a propósito do tudo e do nada

A propósito da conversa doce do nosso sábado, queria dar-vos este miminho que em tempos publiquei no blogue.
Na altura enquanto vocês efusivamente punham no colo da mesa as vossas questões mais quentes, eu viajava pelas também minhas inquietações e veio-me à memória um recado que deixei em jeito de poesia aproveitando dois pilares para servirem de apoio, o neto e o ary.
falavam de identidade...
Aqui vos deixo os meus pensamentos com muito carinho que acho que cabem aqui.
...
também para os demais que acompanharam o doce momento, e aos ausentes para vos aguçar o apetite do proximo momento desta nossa passagem de testemunho
almas feitas cravos rubros em chamas de sul
Fiz-me nascida de dois pais, pares a par
hoje vista de maneira diferente,
mas mesmo assim com outros muitos olhos de mau ver.
Traziam consigo a natureza de mãe que me não pariu
mas vincaram-me o legado deste ser de mim.
Feita desta feita só hoje me reconheci
este mim que hoje faz ver-se com outro olhar.
Perguntaram-me ventos do sul de onde és
e os do norte o que és afinal
e a todos respondi o que o pai do norte me ensinou:
Não!"Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui...!"
assim com o verso do soneto presente que me alimentou me aquietei.
Eis então que os olhos e as bocas do sul se escancaram
e de esguelha me encurralavam perguntando
E quem és afinal? para onde vais? o que esperas tu?
e a todos respondi o que o pai do sul me ensinou, agora com o recado da alma de ventos do norte:
o que quereis vós, que alvíssaras vos hei-de dar?
"Não me peçam sorrisos ... as honras cabem aos generais...
...num novo catálogo, mostrar-te-ei o meu rosto
coroado de ramos de palmeira, e terei para ti os sorrisos que me pedes"
Assim feita de dois pais a par, ary e neto se colaram
em almas feitas cravos rubros em chamas de sul
deixando recados selados sagrados de almas gémeas
"...Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu", pois é assim chegada a hora "...de juntos marcharmos corajosamente para o mundo de todos os homens"
Com excertos de poemas:Ary dos Santos e Agostinho Neto
Arde-me a carne quando o licor da tua lava invade a minha casa
A tocha incandescente que mergulha e acende as paredes da caverna

Festejo até à agonia no enlace encadeado dos movimentos
onde nos perdemos no mais perfeito encontro da unidade das almas
Na dança extasiante do arrebatamento dos sentidos

Acordo com o acorde do murmúrio do silêncio cúmplice da loucura
E bebo o azul da nuvem da aura que nos veste os corpos ao alvorecer

Desperto de novo do torpor dos nossos membros adormecidos
E reacendo o vigor da chama para de novo adormecer

Quero-te na seiva, espuma e  lava nas paredes da nossa casa
Onde acendes o lume e plantas a cama de lírios no veludo negro do nosso quarto


Parabéns meu kasula

Obrigada meu filho por te ter

Nestes 22 anos, em catadupa se atropelam risos
e doces momentos de brilhos a multiplicar-se em estrelas
a cobrir o manto de veludo de céu da minha vida
que tão bem soubeste amaciar,
tão só e apenas com o condão da tua existência.

Quero-te, como sabes ser
Quero-te, como fazes que seja
Quero-te, com o melhor que tu desejas
para ti e para o universo
Com a tua inocente madura sabedoria

Vou estar sempre contigo

Parabéns meu filho!
 
Neste dia tão especial deixo-te este presente em poema do Eugénio de Andrade

Até Amanhã
Sei agora como nasceu a alegria, 
como nasce o vento entre barcos de papel, 
como nasce a água ou o amor 
quando a juventude não é uma lágrima. 

É primeiro só um rumor de espuma 
à roda do corpo que desperta, 
sílaba espessa, beijo acumulado, 
amanhecer de pássaros no sangue. 

É subitamente um grito, 
um grito apertado nos dentes, 
galope de cavalos num horizonte 
onde o mar é diurno e sem palavras. 

Falei de tudo quanto amei. 
De coisas que te dou 
para que tu as ames comigo: 
a juventude, o vento e as areias. 

Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"

vem conhecer o meu jardim

Vem, Dá-me a tua mão
Não quero que anoiteças na luz do som dos meus passos sem conhecer
a cor do desejo que atrai o mistério do alvorecer

Para que não te quedes, assim ditarei
Que auroras se mostrem em orquestrada sinfonia
E alvoreça agora em rasgos de incandescente geometria 
na atmosfera de tintas ondulantes e vibrantes a embeber o ar 

E na apoteótica celebração deslumbrado irás compreender
porque te quero mostrar as cores das paredes do meu jardim 

Vem, vem agora e entra em mim

Vem conhecer o meu jardim