soube-me bem
cobrir a pele do teu desejo
sentir o perfume do teu recado ingénuo e solto
soube-me bem vestir o cheiro do teu olhar
com a maciez do tecido do teu manto de palavras
soube-me bem o óleo da tua chama adocicada
com que ungiste o meu corpo por inteiro
soube-me bem o teu amor
O sol cobriu fulguroso o teto do meu mundo
Banhou-o de luz dourada incandescente
No seu som embriagante mais profundo
E firmou o chão do meu abrigo persistente
Esgueirou-se pelas frestas mais estreitas da guarida
galgou o cinzento carrancudo e carregado do tapume
e instalou-se folgazão e sem reservas ou postura comedida
convidando-me sem pudor, a entrar no festim do fátuo lume
Sem guarda, entrei na dança insensata do costume
mergulhei nos volteios da marcha insana e deslumbrante sem
queixume,
fiz-me à algazarra enlaçada de pejo e de recato, sem rubor ou
azedume,
E deixei-me conduzir nas voltas sucessivas, obedecendo e acatando
o compasso ternário soberbo e marcado, da chama viva de
comando,
deste sol vestido a rigor, para
festa triunfal,do novo teto do meu mundo
Decora o meu caminho
Vem e faz-te à estrada bem devagarinho
E sem pressa, descobre em cada marca
a denúncia do teu fado em desalinho
E revolve cada pedaço, cada retábulo, do fundo da tua arca.
Resoluto, reinventa de novo a caminhada
Guarda a sorte recebe o dote e inventa um norte
E faz-te ao sul que o sol te espera na jornada
Num chão onde se devolve cada instante, em teu suporte
Então decide o teu
Que faz meu no seu destino
num céu onde decoras a tela do sonho a que dás vida
Vem e faz-te à estrada bem devagarinho
E sem pressa, descobre em cada marca
a denúncia do teu fado em desalinho
E revolve cada pedaço, cada retábulo, do fundo da tua arca.
Resoluto, reinventa de novo a caminhada
Guarda a sorte recebe o dote e inventa um norte
E faz-te ao sul que o sol te espera na jornada
Num chão onde se devolve cada instante, em teu suporte
Então decide o teu
Que faz meu no seu destino
num céu onde decoras a tela do sonho a que dás vida
Encanta-me,
e veste-me de desejo simplesmente
ilumina ponto a ponto o manto que me cobre
e desperta em mim a vontade de querer-te
Deslumbra-me,
e percorre longa e lentamente
cada curva, cada canto que me encobre
E renova em mim a chama rubra do desejo de viver-te
Encontra-me
Na vontade de perder-me
E despe-me do desejo unicamente
e veste-me de desejo simplesmente
ilumina ponto a ponto o manto que me cobre
e desperta em mim a vontade de querer-te
Deslumbra-me,
e percorre longa e lentamente
cada curva, cada canto que me encobre
E renova em mim a chama rubra do desejo de viver-te
Encontra-me
Na vontade de perder-me
E despe-me do desejo unicamente
Encontro - do norte para sul olhando o sol
Encontro-te à direita quando olho de frente o nascer da
estrela central que me ilumina
Aquela que orbita em torno do centro da faixa brilhante e
difusa que circunda o firmamento, onde pertencem praticamente todos os objectos visíveis a olho
nu nesta imensa galáxia.
"Meridional ou Austral" outros te chamarão e eu
chamo por ti quando me encontro num dos pontos do hemisfério para onde aponta a
sombra do sol ao meio dia.
E é daqui que te chamo, é daqui que te procuro e te tenho à
mão esquerda, quando me quedo no sítio em que da linha do equador, ao sexto
mês, o da deusa romana, observo de frente o nascer da grande estrela.
No oposto do caminho é onde estou, setentrião, setentrional
ou boreal, eis onde me encontro.
E
o que procuro em ti de onde estou, vem-me através de mim onde pertenço.
No teu chão encontro o sol a cama o leito onde me deito
No teu ventre largo e fundo a noite onde adormeço
No teu céu galgo o reflexo da chama e me deleito
Pele do húmus quente e forte no vigor do recomeço
E num sonho te percorro em trajecto de memórias
Onde há vida e fúria e grito puro rio encantamento
Estradas ruas luas tempos rasgos, largos campos de vitórias
Ode névoa brilho espanto, brando acorde que me deste
Lira mira norte sul, e estranho encanto, doce manto que me veste
Subscrever:
Mensagens (Atom)