Decora o meu caminho
Vem e faz-te à estrada bem devagarinho
E sem pressa, descobre em cada marca
a denúncia do teu fado em desalinho
E revolve cada pedaço, cada retábulo, do fundo da tua arca.
Resoluto, reinventa de novo a caminhada
Guarda a sorte recebe o dote e inventa um norte
E faz-te ao sul que o sol te espera na jornada
Num chão onde se devolve cada instante, em teu suporte
Então decide o teu
Que faz meu no seu destino
num céu onde decoras a tela do sonho a que dás vida
Encanta-me,
e veste-me de desejo simplesmente
ilumina ponto a ponto o manto que me cobre
e desperta em mim a vontade de querer-te
Deslumbra-me,
e percorre longa e lentamente
cada curva, cada canto que me encobre
E renova em mim a chama rubra do desejo de viver-te
Encontra-me
Na vontade de perder-me
E despe-me do desejo unicamente
e veste-me de desejo simplesmente
ilumina ponto a ponto o manto que me cobre
e desperta em mim a vontade de querer-te
Deslumbra-me,
e percorre longa e lentamente
cada curva, cada canto que me encobre
E renova em mim a chama rubra do desejo de viver-te
Encontra-me
Na vontade de perder-me
E despe-me do desejo unicamente
Encontro - do norte para sul olhando o sol
Encontro-te à direita quando olho de frente o nascer da
estrela central que me ilumina
Aquela que orbita em torno do centro da faixa brilhante e
difusa que circunda o firmamento, onde pertencem praticamente todos os objectos visíveis a olho
nu nesta imensa galáxia.
"Meridional ou Austral" outros te chamarão e eu
chamo por ti quando me encontro num dos pontos do hemisfério para onde aponta a
sombra do sol ao meio dia.
E é daqui que te chamo, é daqui que te procuro e te tenho à
mão esquerda, quando me quedo no sítio em que da linha do equador, ao sexto
mês, o da deusa romana, observo de frente o nascer da grande estrela.
No oposto do caminho é onde estou, setentrião, setentrional
ou boreal, eis onde me encontro.
E
o que procuro em ti de onde estou, vem-me através de mim onde pertenço.
No teu chão encontro o sol a cama o leito onde me deito
No teu ventre largo e fundo a noite onde adormeço
No teu céu galgo o reflexo da chama e me deleito
Pele do húmus quente e forte no vigor do recomeço
E num sonho te percorro em trajecto de memórias
Onde há vida e fúria e grito puro rio encantamento
Estradas ruas luas tempos rasgos, largos campos de vitórias
Ode névoa brilho espanto, brando acorde que me deste
Lira mira norte sul, e estranho encanto, doce manto que me veste
no regresso
Quando cheguei engoli-te inteira e grávida de ti me vi
Então te pari estrada minha, de esperança concebida
no corredor estreito e escuro da sucessão dos dias e das noites
agora viva, tida inteira e verdadeira
Desfolhei-te nua clara negra cheia mansa lisa
lua noite brilho encanto e doce apelo
desflorando, cavalgando a madrugada
Percorri-te à luz dourada dos caminhos flamejantes
mergulhei-te na volúpia em quadros quentes vibrantes
amei-te no fulgor de nova vida prenhe e fresca a serpentear
Assim me vi colada às veias e nervuras do teu corpo
no curso do teu sangue pulsante a marcar o ritmo incessante e quase insano
sincopado sinuoso e gingado que te saltava em gargalhadas incontidas do teu peito
Senti-te ao toque ao tímido desejo no arrepio e conchego
no som inebriante em travos longos e vorazes de delírio e de desejo
no repouso adocicado da chama purpúrea do teu colo
Inalei em golfadas todo o ouro que exalavas ao meu redor aos borbotões.
E na geometria desconcertante das tuas linhas finas e rudes
bebi o cheiro o mel, unguento, transbordante o alimento da minha alma sedenta
na assimetria das paredes do teu corpo, o ardor, o calor picante, o gozo o mosto, o gosto
fez guião a estrela o horizonte, trave, tábua, o pão repasto da minha carne faminta
Assim apaziguada te desenhei em novo mapa
Esculpi-te no sabor que deslizava num saber sussurrante
que aumentava o ritmo, galgava as margens erguia as velas e tomava o leito
marcava a cadência incessante de uma dança iniciática
no clarão da explosão de êxtase e plenitude
E pintei de novo as ruas, tuas formas de passados em novos presentes
moldei-te nos contornos do futuro certo no errante do balanço
onde te achei no recente rítmico ziguezaguear de costuras renovadas
Quis voltar e tomar-te de novo estrada minha
salvo conduto
O filho deixou-me o salvo conduto
de forma transparente feito romance
com uma recomendação do seu conhecimento
e efectiva propriedade
para a transição para sul.
Assim o cumprirei.
Do início, o prenúncio da genialidade
através do bilhete amarrotado de Odonato:
"acabou o tempo de lembrar
choro no dia seguinter
as coisas que devia chorar hoje"
(Sobre os transparentes de Odjaki)
de forma transparente feito romance
com uma recomendação do seu conhecimento
e efectiva propriedade
para a transição para sul.
Assim o cumprirei.
Do início, o prenúncio da genialidade
através do bilhete amarrotado de Odonato:
"acabou o tempo de lembrar
choro no dia seguinter
as coisas que devia chorar hoje"
(Sobre os transparentes de Odjaki)
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