Não poderei fazer o teu caminho
Observo-te apenas e asseguro-me da tua destreza
Prendo por vezes o escuro da terra dos meus olhos, que me irradia o rosto
e aponto-o na tua direcção a cada sinal de desiquilíbrio
tentando apenas iluminar o espaço, desviar os escolhos, minorar a dor
não procuro caminhar sobre as tuas marcas
apenas mostrar-te o meu cajado que me ampara a já longa caminhada
Boa tarde meu amor, segue as estrelas e conserva-as para os que te seguirão
pois eles aprenderão a eternidade
madrugar
E calçar as nuvens macias que
aconchegam o céu
Caminhar em silêncio no caminho das
palavras
Bordadas em fios finos de luz nos
desenhos do destino que tracei
No cântico morno que me adorna o
corpo
Vou madrugar
E beber de novo a brisa
Apoiar os cotovelos no beiral dos
sonhos
Afagar o sufoco
Alimentar o torpor do corpo, mimar a
alma
Resgatar o meu império, meu alimento,
a poesia
Nascer de novo com o dia
Vou madrugar e parir um novo dia
sinto o sabor do teu mar a ferver-me nas veias
Sinto o sabor do teu mar a ferver nas veias do labirinto do meu corpo
Sinto o fervor do teu mar no impulso do desejo de te ter
Sinto a acalmia do teu mar no doce toque do s(t)eu (en)canto
Feita voz, cântico, balada, liturgia, encanto que me enternece
Envolve, embala, devora, encanta, sossega e entorpece
Sinto a brandura do teu ser num vulcão que me desassossega
E entrega a uma orgia de veludos de corpos e licores de seiva
Com odores de espanto e paz que me deleita
aqui onde o calor não dorme, vive a arte da espiritualidade
Aqui
onde o calor não dorme
Deslizam
figuras de luz a preto e branco
Vestidas
com a solenidade e beleza de alma pura
Assim
as vejo, assim as aprendo e apreendo
Identidade
escolha e razão
No passo
lento e forte que acompanho
Da
beleza e porte que a todos confere por igual
procuro escutar os corações nos belos olhos de
mistério que desfilam
na
névoa de poeira de ouro vivo que os ilumina
Dos
géneros, a brancura alva do porte se revestem
Os que
habitam a kaba negra que sem pejo exibe a negrura da pureza
Casa
segura coberta das mais caras jóias invisíveis aos olhos
Inteira
da sua liberdade aprendida na fé dos seus ancestrais
Aqui
onde o calor não dorme
E o
ouro negro granjeou a tela de todos os sonhos
Numa
paleta onde o negro e branco se destaca
Da harmonia
onde o velho o novo se cruzam e
entrecruzam
em malha feita
de
mestria no padrão geométrico da arte mais elaborada nascida da raiz.
Aqui onde o calor não dorme
Aprendo o padrão
infinito que se estende para além do mundo visível e material,
Génese
e alma do feito que parte do simples perfeito ao complexo em constantes
repetições
regra, preceito, definição,
Pedra
de toque do infinito, natureza abrangente da criação.
Aqui
onde o calor não dorme
descubro
paz honra orgulho e nobre aspecto
silêncios
de grito de ser e de respeito
A arte
da espiritualidade
Diz-me, Amor, como Te Sou Querida
Dize-me, amor, como te sou querida,
Conta-me a glória do teu sonho eleito,
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,
Arranca-me dos pântanos da vida.
Embriagada numa estranha lida,
Trago nas mãos o coração desfeito,
Mostra-me a luz, ensina-me o preceito
Que me salve e levante redimida!
Nesta negra cisterna em que me afundo,
Sem quimeras, sem crenças, sem ternura,
Agonia sem fé dum moribundo,
Grito o teu nome numa sede estranha,
Como se fosse, amor, toda a frescura
Das cristalinas águas da montanha!
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas
Parabéns Isaac
De nome a força de Abraão
a décima geração que Noé gerou
Primeiro entre os filhos de seu pai
A quem em nome da fé honrou
E dele Deus uma grande nação criou
Em ti ele deixou o destino da criação
de dois ramos que povoaram a terra
e guarda assim para todo o sempre em verdade
se canta conta e escreve a história do teu nome
no grande livro da humanidade
assim farás do amor o teu destino, a tua guerra
Isaac neste teu dia relembro sempre
A acalmia da ternura que preenche e me renova cada dia
Bonança de largos dias de afetos repleto
Porque és e serás sempre
o brilho dos meus olhos
E assim te canto
porque te agarras à minha mão,
abraças o meu pescoço
com palmo e meio de braços
e agarras o mundo de cima protegido
pelas águas calmas da bacia do meu colo,
me faço fonte, terra, abrigo, fogo e sombra.
por ti meu pequenino me agiganto cada dia,
descubro as tuas descobertas
me encanto com os teus encantos
fantasio as tuas fantasias
e até me apanho a cantar sozinha,
a dançar ao compasso dum semba de memória
que viaja a toda a hora comigo
me faz rir à toa
e me pinta aquele brilho nos olhos
Parabéns meu neto!!!
a décima geração que Noé gerou
Primeiro entre os filhos de seu pai
A quem em nome da fé honrou
E dele Deus uma grande nação criou
Em ti ele deixou o destino da criação
de dois ramos que povoaram a terra
e guarda assim para todo o sempre em verdade
se canta conta e escreve a história do teu nome
no grande livro da humanidade
assim farás do amor o teu destino, a tua guerra
Isaac neste teu dia relembro sempre
A acalmia da ternura que preenche e me renova cada dia
Bonança de largos dias de afetos repleto
Porque és e serás sempre
o brilho dos meus olhos
E assim te canto
porque te agarras à minha mão,
abraças o meu pescoço
com palmo e meio de braços
e agarras o mundo de cima protegido
pelas águas calmas da bacia do meu colo,
me faço fonte, terra, abrigo, fogo e sombra.
por ti meu pequenino me agiganto cada dia,
descubro as tuas descobertas
me encanto com os teus encantos
fantasio as tuas fantasias
e até me apanho a cantar sozinha,
a dançar ao compasso dum semba de memória
que viaja a toda a hora comigo
me faz rir à toa
e me pinta aquele brilho nos olhos
Parabéns meu neto!!!
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