bailemos homens, bailemos!

http://www.advocatus.pt/opiniao/3957

Não sendo taxa mas imposto
É justo certo e suposto
Que estamos a ser roubados

Ou estamos nós enganados,
Ou muitas gentes de fé
Com ar certo e circunspecto
Ou nos faltam ao respeito
Ou nos tocam pela ré

Levantaremos a âncora?
Fazemos um finca pé?
Ou deixamos os bastardos
Fazer de nós gato e sapato
E gozar em cada acto
Tudo sempre de boa fé…

Fiquemos pelo acordo não é?…
Somos um povo sereno
Gente de boa fé
Bailemos homens, bailemos!

certezas

...
Quando embriagada com certezas de ti
fico sóbria das loucuras de mim

Mas...
Embora embriagada com loucuras de ti,
Estou sóbria com certezas de mim

ditando os sete mortais

Espreito as Origens Sagradas de Coisas Profundas,
Com o devido respeito que conste, nada têm de profanas,
Pois no vale desafortunado de artes imundas,
Cabe segundo Evágrio, oito crimes de "paixões" humanas.

Eleitas em ordem crescente de importância,
Por propostos juízes de circunstância,
Então se acharam indecisas de certeza e relevância.

Assim, se acercaram vários, tomados de elevação
Julgando que do ponto dos pecados, o julgo tornava piores
Quando roçando a soberba, se tornavam males maiores.
Abraçando cousa outra vestida de maldição.

Eis que entra Gregório,
E em carácter rescisório,
Troca acídia por inveja,
E para que se veja,
muda a ordem sim senhor,
Em nome dos que em entender, menos ofendiam o amor.

Por acrescento ainda, e sem qualquer veleidade
Acima-lhe em topo o orgulho, a vaidade,
Soberba por assim dizer, como arte de mal maior

Junta-se por final Aquino
Com rores de tratados e desvelo
Somando a preguiça em conta, por apelo
Fica-se então à cautela, pelos sete por destino.

Pois das piores doenças de Evágrio, o que conta,
Noutras artes de melhor dizer males e horrores,
São os opostos aos sete, os de virtudes de igual monta
Pela salvação dos pecadores

para vós

Para vós,
Eu ditarei a luz sobre as trevas
Acalmarei os ventos e sossegarei caminhos
Lavarei feridas de calvários e tormentas em pés de viandantes
Abraçarei coragens, loucuras e sentidos de vontade
Alargarei espíritos, vencerei destinos, mudarei sortes e fados
Ditarei a vida de venturas e fortunas

Serei Deus, demónio, gigante e demiurgo
Jogarei o mundo com perícia de toques certeiros
Para vós serei a terra, o céu, o dia, a noite, chuva e vento
O manto o chão a teia o consolo o vosso alento
A esperança e a fé a tempo inteiro
Serei tudo o que quiserdes

Para vós,
Arrebatarei o sol que esbanjarei em torrentes de cor
Pintarei o espaço de veludos de luares
Serei espaço, o corpo o tempo e a vontade
Plantarei pilares erguerei céus sobre os vossos sonhos
Serei Deus, demónio, gigante e demiurgo
E vencerei mundos para vós.

as franjas de purpurina da orla da minha saia

as franjas de purpurina da orla da minha saia
deixam riscos de sol no soalho
e deixam confusos os deuses que ditam as horas felizes
que não batem certo com as horas corridas a eito
que bailam nos brilhos de purpurina da orla da minha saia

não façam fé não tomem a peito
que de qualquer jeito
os rasgos dourados em rios de fés
saídos das sombras de quaisquer convés
que espreitam sorrisos, requebros de corpo e sopros trinados,
abrirão caminho por entre os escolhos
e do passo marcado, ao ébrio volteio, voltas, enlaces treinados,
encherão os espaços vazios trajando as vestes de outras marés

nas franjas de purpurina da orla da minha saia
os riscos de sol do soalho brindarão aos deuses as horas felizes

minha lua

De novo a lua
Que seguro com ambas as mãos
Aconchego ao coração
À terra quente do meu ventre, ávido de ti
A nossa lua, a minha lua
Que te leva, que me leva entre marés

És tu minha lua que ditas as marés
Que influencias as minhas águas
Que teimam acompanhar o teu movimento
Até à dor do atrito no fundo da minha alma
E me tolhe os movimentos e te afasta de mim

Mas eu não vou deixar que mintas
e vou fintar a nova
E vou pegar-te cheia,
pelo teu lado não visível aos outros
Erguer a ponte de amor carregado de desejo
Do cimo do embondeiro
E chegar a ti

Então, vou vestir-me de sonhos rubros de terra quente
Lavar o corpo com o negro forte fundo e doce dos rios
Embalar-me com o murmúrio do xuxualhar do verde
E humedecer os lábios secos na tua face redonda

Eu vou agarrar-te o negro de luz
Minha lua, minha Luanda