açores, apelo do coração

Sabes que me lembras muito o Patch Adams?
Será que foi a tua fonte de inspiração quando escolheste o caminho da enfermagem?
Depois o destino que te levou aos Açores fez-me pensar, que mais uma vez não teria sido por mero acaso.
Já me tinha ficado por este lado da face escura da lua na incerteza de voltar, e mesmo assim aguentaste-te determinado nas canetas. O círculo do nosso clã de afectos apertou o cerco e confortou-nos e tu meu querido portaste-te como só tu sabes a cuidar do bebé da mana eu rumou para sul, da tua passagem, das compra de última hora, da hipotética bolsa… enfim meu filho é só mais uma prova.
Agora alegra-me saber-te bem, a gostar do que fazes, a apreciar cada detalhe e a trazer-nos novos cheiros e cores de um novo espaço que não conhecíamos.
Abriste sem querer outra porta
Vamos ver o que nos espera…
Obrigada filho!
Amo-te muito.

quadro de valor a caminho dos açores

Quadro de Valor – Parabéns Filho!

Falei-vos em tempos no prémio do “Melhor Companheiro”?
Então agora ponham lá a cereja em cima do bolo;
- Receio bem que seja de tal dimensão que o peso a faça envolver o bolo.
Agora esta fez-me lembrar tempos lá mesmo muito atrás, em que a borda da mesa da sala de jantar ainda me dava pelo início do nariz o que já dava para os meus olhitos alcançarem aquela bola imensa vermelhinha que aparecia em cima da mesa e fazia-me crescer água na boca. Era o primo que com o pré conseguia trazer do DBI (Depósito Base de Intendência), o queijo flamengo, com mais umas coisas e dava de presente à mãe, aí eu imaginava que um dia quando fosse grande e ganhasse muito dinheiro eu comprava uma inteirinha só para mim, a abriria ao meio e punha o pão lá dentro e comia, comia até me fartar.
Voltando à nossa cereja linda, foi a que se juntou à dos Rotários de Carcavelos atribuída há uns tempos atrás ao meu caçulinha.
Esta cereja chamava-se “Quadro de Valor” e coube ao meu filhote que terminava o 12º ano numa EP com valores e de valores.
É que o filhote de pois de umas férias cheias de trabalho voluntário de Julho a Agosto descansava finalmente uma semanita antes de saber o que seria o seu futuro naquele início de Setembro que traria o seu passaporte para esta nova etapa, “Fac ou não Fac era a questão”, uma Fac Pública claro.
É que ser voluntário, disponível, solidário, generoso, participante, actuante, activo, brilhante e sensível não combinava ou pelo menos era difícil de gerir com o ser competitivo, ambicioso, marrão, ou cromo…
Mas filho, agora digo-te, do fundo do coração;
É difícil, senão quase impossível, colocar no mesmo prato da balança os pesos de excelência e valor quando no outro o sucesso se pesa por dignidade e amor.
Assim meu amor, derreti-me quando optaste pelo peso do valor.
Parabéns querido!

retomando a viagem

Vinham aí os cinquenta que já vinha anunciando antes mesmo de chegar a data tão esperada.
Cumpria-se a minha vitória do meu meio século. Agora era mesmo só continuar a caminhar.
Vinham aí os cinquenta que iam mergulhar no meio do rio calmo dos dias que prometiam quebrar as rotinas àqueles que durante o ano acumulavam promessas de sonhos de acalmia ou asas de águia daquelas que levam aos píncaros e deixam ver do alto o passeio das formigas, sem o receio do chicote do cronos nem dos ditames dos costumes e tudo condensado naquele prémio que como todos esperei, ao fim do ano de trabalho naquele intervalinho em que esperamos ao menos poder jiboiar.
Então prometi-me e programei pequenos mimos só para mim, como um pirolito ou paracuca no recreio.
Foi doce, pleno e gostoso e coroado com a passagem do meu meio século recheado de mimos, doces quentes, muitos deles, mesmo só do coração.
Deu-me então aquele estado de calma a sensação de leveza de missão cumprida… Assim mesmo, sem interrogações, reticências, ponto e vírgula, dois pontos ou exclamação. Mas sem ponto final.
Assim me achei até que o meu primogénito me presenteou com um romance cuja dedicatória será como uma oração que me acompanhará até ao fim dos meus dias.
Emocionei-me claro!
Não posso deixar assim de partilhar…

Renascer aos 50
Renascer aos cinquenta? Não!
Tu renasces todos os dias.
Minha Mãe, olho para os teus cinquenta com orgulho.
Como um exemplo…
Esses caminhos por onde a vida te levou
Ninguém te disse como os percorrer
Mas tu, tu chegaste aos cinquenta triunfante!!
Caminhei contigo por quase metade deles…
Ainda mal sabia andar e já olhava para ti, em silêncio,
Enquanto reunias as forças para subir Aquelas Ruas…
Costumavas dizer que eu era uma criança que observava muito…
Não podia ser de outra forma! Ensinavas-me tanto,
Deste-me tanto…
Mãe, a palavra que define o teu caminho até aqui é Amor.
Fizeste toda a tua vida com essa bússola que te fez
a mulher que amo Hoje!
Poucos podem dizer o que te digo…
Espero conseguir seguir o trilho que me tens deixado.

Parabéns Mãe

Óscar 09.09.2010

de passagem

Assim me trouxeste embrulhado o canto do sol
carregado de sons de feitiço nos tons de calor
que adivinha festeja anuncia com brilho fatal
o regresso da lua que me chama em tom sedutor

cortaste caminho avançaste desperta despida de dor
abraçaste o presente e agarraste o futuro tingido na pele
sonhaste viveste vingaste o destino com lábios de mel
e roubaste o tesouro guardado nos sonhos do alto do sul

assim me trouxeste a minha lua luanda
assim te deixaste no feitiço da banda