EMPTINESS
Forjar na polpa das palavras
a sintonia suculenta do morfema
e sair nu cantando lavras
semeadas na cor do poema
ondulando liberdades e savanas
com olhos molhados de punhais
e vozes quentes de calema.
Vivemos um momento
vazio e frio de sentidos
há, como dizem os ingleses,
uma cruel emptiness, um vácuo
castrado de utopias e sonhos
suspensos, ideais na diáspora...
À varanda pálida dos lábios
sequiosos da alma, rosa aflita,
esta infame e crua certeza:
A POESIA
NÃO SERVE
PARA NADA!
Os poemas, como as cartas de amor
do Campos, o tal louco de muitas pessoas,
(ou o tal Pessoa de muitos loucos)
são papéis riscados com letras...
Namibiano Ferreira
apetece-me falar-te pai
Parece que tinha que ser mesmo hoje pai.
Sabes pai, acredita que és mesmo o responsável por esta viagem.
Às vezes apetece-me falar-te, sabias?
Do muito que tens visto, que eu sei que me vais acompanhando.
Da mãe com aquela força que conheces bem.
Dos manos que vão estando sempre por perto
Sabes que a pequenina leva a letra o recado que lhe deixaste,
e não me tem largado um único momento...
Também não era preciso dares assim tamanha responsabilidade...
Enfim, tu sabias bem o que lhes estavas a pedir, tu sabias pai.
Não tem sido fácil, mas temo-nos aguentado.
As coisas que eu estou para aqui a dizer...
como se não soubesses de tudo.
Claro que sim pai, eu sei.
Também, na realidade não tivemos tempo para grandes despedidas.
Mas acreditas, que embora no último momento me tivesse agarrado a ti
quase num desespero em forma de grito surdo que me tomou o corpo, a voz e a mente
só travado pelo coro de vozes de mais velhos que me chegou em surdina
numa quase súplica de um deixa-o partir...
te vi caminhar assim, serenamente em direcção à luz,
foi assim pai que te deixei seguir...
faz tanto tempo e tão pouco...
Olha que me têm perguntado, e sabes o que sinto
e que respondo com a sensação que nos deixaste
Que de todas as tuas viagens pai,
na nossa nada ficou por fazer,
nada ficou por dizer, deixaste-nos tudo o que poderias deixar.
Obrigada pai, sinto-te tão perto...
Amo-te tanto... que dói.
Sabes pai, acredita que és mesmo o responsável por esta viagem.
Às vezes apetece-me falar-te, sabias?
Do muito que tens visto, que eu sei que me vais acompanhando.
Da mãe com aquela força que conheces bem.
Dos manos que vão estando sempre por perto
Sabes que a pequenina leva a letra o recado que lhe deixaste,
e não me tem largado um único momento...
Também não era preciso dares assim tamanha responsabilidade...
Enfim, tu sabias bem o que lhes estavas a pedir, tu sabias pai.
Não tem sido fácil, mas temo-nos aguentado.
As coisas que eu estou para aqui a dizer...
como se não soubesses de tudo.
Claro que sim pai, eu sei.
Também, na realidade não tivemos tempo para grandes despedidas.
Mas acreditas, que embora no último momento me tivesse agarrado a ti
quase num desespero em forma de grito surdo que me tomou o corpo, a voz e a mente
só travado pelo coro de vozes de mais velhos que me chegou em surdina
numa quase súplica de um deixa-o partir...
te vi caminhar assim, serenamente em direcção à luz,
foi assim pai que te deixei seguir...
faz tanto tempo e tão pouco...
Olha que me têm perguntado, e sabes o que sinto
e que respondo com a sensação que nos deixaste
Que de todas as tuas viagens pai,
na nossa nada ficou por fazer,
nada ficou por dizer, deixaste-nos tudo o que poderias deixar.
Obrigada pai, sinto-te tão perto...
Amo-te tanto... que dói.
suspensa no tempo
fiquei suspensa no tempo
num tempo de nunca acabar
mãe, trouxeste-me de volta a festa
dos nossos almoços feitos serões
os jantares a abrir de novo a madrugada
em que na mesa cresciam as vidas temperadas de tradição
onde eternizamos paixões realizações e combates
fizemos, trouxemos, festa, luta, raiva, dor, amor
em cumplicidades fraternas de colos seguros.
mãe, como sentimos perto os corações que enlaçaste
e voltamos a dar voz ao tempo de família neste espaço
que bom foi estar suspensa neste tempo
que bom voltar ao lugar do tempo
num tempo de nunca acabar
foi mesmo bom estarmos juntos mãe
num tempo de nunca acabar
mãe, trouxeste-me de volta a festa
dos nossos almoços feitos serões
os jantares a abrir de novo a madrugada
em que na mesa cresciam as vidas temperadas de tradição
onde eternizamos paixões realizações e combates
fizemos, trouxemos, festa, luta, raiva, dor, amor
em cumplicidades fraternas de colos seguros.
mãe, como sentimos perto os corações que enlaçaste
e voltamos a dar voz ao tempo de família neste espaço
que bom foi estar suspensa neste tempo
que bom voltar ao lugar do tempo
num tempo de nunca acabar
foi mesmo bom estarmos juntos mãe
o pior são as casas vazias...
era suposto ser um caderno de família mãe...
corpos despidos...
assim rematava com um sorriso terno mas comprometido...
eu disse corpos despidos?...filho, é só poesia... e rimos juntos.
quando a minha companheira de viagem se meteu comigo parei para perceber até onde ía esta vontade.
afinal restava o conforto.
às vezes a tocar o arrebatador da vontade de querer
então confidenciei-lhe sorrindo quando senti o toque do gracejo...
...o pior são as casas vazias os dias cinzentos, as portas fechadas. então buscamos alimento. pela poesia... chamamos assim. à que nos alimenta nos habita com os t(s)ons de azuis...
(blues...(soul)ficava bem...)... ok...
corpos despidos...
assim rematava com um sorriso terno mas comprometido...
eu disse corpos despidos?...filho, é só poesia... e rimos juntos.
quando a minha companheira de viagem se meteu comigo parei para perceber até onde ía esta vontade.
afinal restava o conforto.
às vezes a tocar o arrebatador da vontade de querer
então confidenciei-lhe sorrindo quando senti o toque do gracejo...
...o pior são as casas vazias os dias cinzentos, as portas fechadas. então buscamos alimento. pela poesia... chamamos assim. à que nos alimenta nos habita com os t(s)ons de azuis...
(blues...(soul)ficava bem...)... ok...
apeteces-me
Apetece-me habitar-te
Habitar o odor da tua casa de eternos verões
Trajar as vestes de festa que te pertenceram
Vestir combates e lutas de (s) iguais que já travaste
Apeteces-me, simplesmente apeteces-me.
Habitar o odor da tua casa de eternos verões
Trajar as vestes de festa que te pertenceram
Vestir combates e lutas de (s) iguais que já travaste
Apeteces-me, simplesmente apeteces-me.
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