apeteces-me

Apetece-me habitar-te
Habitar o odor da tua casa de eternos verões
Trajar as vestes de festa que te pertenceram
Vestir combates e lutas de (s) iguais que já travaste
Apeteces-me, simplesmente apeteces-me.

desencontro

Porque desistes da descoberta meu amor?
Porque apagas a chama e desfazes o caminho sem mesmo pousares a mochila?
A tua tenda, essa não precisa de chão.
Vive em ti entranhada qual mortalha,
embebida em sonhos e desesperanças de fé de razão.
Mas não, não a tomes como peso, ela será apenas a tua terceira mão
aquela que só existe na nossa razão,
a que faz com que entreabras a porta e deixes passar a luz
a que te faz descobrir o que se encontra entre o preto e o branco
e assim retomar a jornada
Depois, poderás dormir meu guerreiro,
e terás a paz da brisa quente do sul

hora de alda

Nesta noite morna de luar africano
Salpicando de sombras as estradas
Eu estendo os meus braços sedentos
Para a nossa mãe África, gigante
E ergo para ti meu canto sem palavras
Suplicando bênção da terra
Para as vias dos teus caminhos
Para a rota do destino imenso
Traçado na inteireza de todo o teu ser
Para ti, a projecção das nossas estradas
Varridas da impureza dos dejectos inúteis
Para ti, o canto de glória da nossa
Mãe África dignificada.

Alda espírito Santo
in é nosso o Solo Sagrada da Terra, 1978, Lisboa, Ulmeiro

um bouquet de ternura neste teu(nosso) dia

A uma mulher extraordinária, um bouquet de ternura neste dia. Feliz dia da Mulher! foi assim filha que resumi a enorme vontade que tenho hoje de te abraçar e tu sabes meu amor... especialmente neste dia. Amo-te muito.

Beber-te na trilogia da degustação

Vou sorver-te de novo, gole a gole, a cada instante.
Beber-te na trilogia da degustação.
Provar-te o cheiro que inala o odor de ti e deixa que invada o céu da mente, entranhe ardente na terra da pele até que saia de novo em suor de cheiro doce pelos poros.
Deixar então que de novo me volte a penetrar as narinas.
Embalar-me na dança ébria das papilas que te gozam na bacia quente da boca que tenta teimosamente travar a doce viagem de rio.
Então aproveitar a descida das águas agitadas a montante na garganta ávida de gosto de ti onde ledas dormirão o sono dos deuses.
Finalmente deleitar-me no sussurro das águas calmas que esperam a jusante.
Assim, vou sorver-te de novo, gole a gole, a cada instante.

na tua esteira

pousei timidamente o corpo
quando estendeste para mim a tua esteira de vida
e deixei a pouco e pouco que entrelaçasses as fitas de cor
dos sonhos e histórias de ti, de que te despiste.
deixei que enfeitasses o caminho na viagem com o teu perfume quente e doce
tecido de pétalas com que me percorreste com encanto de saber
agora feito meu manto de pele com que me visto todas as noites para ti
agora quero vestir a noite de festa
e dar-lhe o brilho molhado da lua
abraçar o tecido negro e sedoso da sua pele
e menear as ancas ao som do piscar das estrelas
só depois seguirei o trilho claro dos teus olhos
e deixar que me embales na tipoia da tua alma