desculpa, mas não consigo aprender a tua força

sabes o que mais me custa?
não conseguir ter-te nos meus braços
não poder o impossível de te trocar no espaço.
aquele que existe entre ti e mim
o que faz de ti primeira e que fez de mim gente
custa-me não poder embalar-te, mimar-te e dar-te colo
então, resta-me aninhar-me e fazer-me pequenina
enroscada às tuas raízes
afinal é assim que fico realmente diante da tua grandeza.
acreditas que enquanto a ciencia procura em contra relógio
atalhos de retrocessos do caminho
para recolorir mais um dia que te pertence
enquanto se te descola a pele das tuas entranhas
eu procurava nos devaneios de escape da dor
um nome de uma árvore que te acentasse bem, acreditas?
a mulemba pereceu-me a eleita embora a acácia rubra
também estivesse neste rol de absurdos insanos.
nos intrevalos em que o teu corpo faz com que pensem que dormitas
embora estejas só a recuperar para mais um folego de estrada,
olho-te bebendo-te sofregamente os momentos presentes
e penso que não posso encontrar o nome da tua árvore
ou da árvore que serias tu, simplesmente porque és aquela
que um dia dará o nome à árvore, ao ser, ao corpo
que de alguma forma se possa assemelhar a ti.
és única mãe.
desculpa, mas não consigo aprender a tua força.
fica comigo mãe, está tudo escuro.

ouvi dizer...

ouvi dizer,
"é o mambo que estamos com ele...
palancas até ao fim"
agora é só levantar a cabeça
e embora a sério quisesse dizer
não substimes o inimigo
só que me apetece sempre brincar com estas dores
e dizer que bom anfitrião
sabe dar e receber,
literalmente
vamos lá dar a volta a isto

yes we CAN

ageitei-me bem no banco para tentar ficar um pouco mais confortável.
afinal, a viagem tem que continuar, entre emoções.
é a única maneira de traduzir com sentimento e elegância os solavancos como lhe chamaria a mãe.
tento ver o que me está a incomodar mas a almofada até é de sumauma e nem sei porque me queixo. se calhar é daquela que está por baixo e que não dá para perceber logo, e que ainda é de palha. embora bem remexida para ficar mesmo fofa bor baixo do riscado camões que lhe dá forma, prega-nos sempre partidas com dores nos viongos.
há-de haver sempre um toro na palha de milho a incomodar.
desde ontem que me acompanha esta tristeza, com um misto de frustração. porque teríamos que merecer isto? porque teria de acontecer. fui-me tentando manter informada e ouvir opiniões. consternação é a palavra que pode traduzir o estado de espírito dos que me acompanham. andei desde o morro da maianga até à kianda, à bela, ouvi todos os mujimos.
feriram-te mãe terra no coração do mayombe.
é assim mesmo entre emoções. da euforia à tristeza. não podemos dosear. há mesmo que acelerar nas rectas e abrandar nas curvas, mas temos que continuar a viagem.