recebi esta mensagem fresquinha
trazia a mãe embrulhada lá dentro e a mim também
e a todas a mães do mundo que têm um cordão preso ao coração.
soube-me tão bem, que me senti a flutuar e toda eu fiquei reduzida a coração.
peito redondo, vermelho, feito em dois gomos inchados de paixão.
ainda lhe sinto o sabor.
a leitura, trouxe-me a mana hoje ainda com o coração dorido duma ferida recente.
mas estava tão feliz com este bouquet, que não aguentou em partilhar.
então resolvi partilhar convosco uma das coisas mais bonitas que li sobre o coração de mãe.
bem, na verdade foi ontem, que recebi a mensagem e estive, vejam lá, até agora, a fazer caber aqui uma mensagem em power point. e na realidade não encaixa. após várias tentaivas frustadas congelei-a nos rascunhos e agora resolvi retirá-la e partilhar convosco.
eu digo na mesma sem o power point, espero que fiquem com uma ideia. depois, podem encontrar este miminho no livro do planeta tangerina. é da dupla Isabel Minhós Martins e Bernardo Coelho. Começa e termina mais ou menos assim:
"afinal o coração de mãe não é só um músculo que bate sem parar...
é um lugar mágico onde acontecem as mais extraordinárias das coisas"...
depois o coração gela, dança, fica aos pedacinhos e às pintinhas... delicioso.
um novo conceito
claro que chorei, confesso
claro que chorei, confesso.
de alegria, sim. Não consegui evitar. estava aq falar com a mana e tocou o moche. é o meu comunicador com o filho mais velho. então filho?
senhor doutor faz favor! retorquiu.
não me consegui conter e os risos atropelaram-se com soluços e meias frases meio desconcertadas. quando a mana se formou eu não chorei... desculpa mas parecia tudo tão óbvio nela, que injusto não é? e tão cedo filha.
obrigada filhos. eu acrescento sempre; e foi no ISCTE e na clássica! na pública! (ainda não sei o que terei contra as privadas...),parece que as públicas me soam a prestígio exigência,essas coisas...
olha filho, é que para vocês, quero o melhor do mundo.
agora falta o jojoka.
de alegria, sim. Não consegui evitar. estava aq falar com a mana e tocou o moche. é o meu comunicador com o filho mais velho. então filho?
senhor doutor faz favor! retorquiu.
não me consegui conter e os risos atropelaram-se com soluços e meias frases meio desconcertadas. quando a mana se formou eu não chorei... desculpa mas parecia tudo tão óbvio nela, que injusto não é? e tão cedo filha.
obrigada filhos. eu acrescento sempre; e foi no ISCTE e na clássica! na pública! (ainda não sei o que terei contra as privadas...),parece que as públicas me soam a prestígio exigência,essas coisas...
olha filho, é que para vocês, quero o melhor do mundo.
agora falta o jojoka.
A história da Formiguinha que prendeu o pé na neve

A mãe raramente contava histórias.
Era o pai, quando voltava de viagem a cada duas semanas por vezes, que ao cair da tarde no quintal, quando a mandioqueira já não fazia sombra e só nos recolhia, ele punha as cabeças da miudagem do bairro que se juntava a nós, a viajar com ele pelas mil e uma noites, e pelos palácios de jade iluminados pela lâmpada do Aladino, ou a acompanhar as façanhas do Miséria, que andou mundo fora e cá se deixou ficar.
A mãe administrava os cheiros e as cores da casa, da nossa vida.
Houve um dia porém, que a mãe nos surpreendeu. Ainda estávamos no planalto central, com o pai longe no quente da capital a arranjar sustento.
Aqui, fazia frio, boa altura para a mãe fazer a manteiga saborosa, feita como leite comprado cedinho à porta, que se punha a dormir lá fora na varanda, e acordava fresca pronta a por no pão quente acabado de fazer no forno do quintal. Só que nesta altura, não havia cheiro de pão, e a tarde parecia não acabar. A mãe nesse dia não pos a mesa e aninhou-nos à sua volta e começou a história da formiguina que prendeu o pé na neve. Chegou a hora do jantar e a mãe continuava a história acabamos um a um por adormecer.
E é desta história que me lembro contada pela mãe. Todas as outras eram histórias das nossas vivências, do avô, da infância que nos faziam a companhia de todos os ausentes e nosprendia às nossas raizes. Das outras histórias ficou a da formiga que anos mais tarde,já adulta percebi que não tinha sido nada mais do que a única forma da mãe substituir o pão que naquele dia não havia para por na mesa.
Utopia | zeca
Utopia
(José Afonso)
Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?
(José Afonso)
Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?
esperança cor de cravo
lá vem a Nau Catrineta que tem muito que contar!
e era assim antes de dormir.de tanto ouvir os filhotes hoje sabem os versos de cor.
repetimo-los vezes sem conta.
a história dos marinheiros, a tempestade e o mar, o bem e mal, anjo e o demónio, homem e história, a percorrerem a imaginação dos miúdos, que acompanhavam a odisseia com a respiração presa nas palavras que me iam saindo como torrentes, imprimindo o cenário da desgraça e da vitória do bem sobre o mal.
a História Antiga era outra de eleição. e vistas bem as coisas, pareciam entrecruzar-se. aqui, também o Herodes e o Menino, a perseguição das crianças, a fuga. e finalmente a vitória do bem sobre o mal.
hoje, partilhei com eles as portas que abril abriu passagens do Ary, e a cadência marcada parecia voar nalguns momentos entre a Catrineta e o Herodes, o Anjo e o Demónio. parecia regressarmos à história ao fim do dia ou de animar os serões do antigamente, em que as ouviam deliciados e de olhos arregalados. aí fez-me pensar. ao meu neto vou ter que acrescentar o reportório. não me ficarei pelas naus, e um burrito que pela areia fora fugiu... vou contar também a história de um país muito pobre que mandava os seu jovens dentro de porões para Angola, e que um dia acordou com a esperança cor de cravo.
e era assim antes de dormir.de tanto ouvir os filhotes hoje sabem os versos de cor.
repetimo-los vezes sem conta.
a história dos marinheiros, a tempestade e o mar, o bem e mal, anjo e o demónio, homem e história, a percorrerem a imaginação dos miúdos, que acompanhavam a odisseia com a respiração presa nas palavras que me iam saindo como torrentes, imprimindo o cenário da desgraça e da vitória do bem sobre o mal.
a História Antiga era outra de eleição. e vistas bem as coisas, pareciam entrecruzar-se. aqui, também o Herodes e o Menino, a perseguição das crianças, a fuga. e finalmente a vitória do bem sobre o mal.
hoje, partilhei com eles as portas que abril abriu passagens do Ary, e a cadência marcada parecia voar nalguns momentos entre a Catrineta e o Herodes, o Anjo e o Demónio. parecia regressarmos à história ao fim do dia ou de animar os serões do antigamente, em que as ouviam deliciados e de olhos arregalados. aí fez-me pensar. ao meu neto vou ter que acrescentar o reportório. não me ficarei pelas naus, e um burrito que pela areia fora fugiu... vou contar também a história de um país muito pobre que mandava os seu jovens dentro de porões para Angola, e que um dia acordou com a esperança cor de cravo.
assim os sonhos têm cheiro
desde que me lembro que a mãe faz as nossas delícias com o cheiro vindo da cozinha. assim o natal ficou sempre para nós com o cheiro dos sonhos. assim os sonhos têm cheiros e os sonhos são cheiros e há também cheiros de sonho.mas os sonhos de sonho são outros e não caducam de facto.
hoje,os caixotes de sonhos(*) fizeram-me lembrar a mãe,só isso.
(*)caixotes de sonhos foi o texto do J.Cê no seu blogue
e foi o meu comentário lamechas, só isso
hoje,os caixotes de sonhos(*) fizeram-me lembrar a mãe,só isso.
(*)caixotes de sonhos foi o texto do J.Cê no seu blogue
e foi o meu comentário lamechas, só isso
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