um cheirinho de férias

foram três dias e umas férias inteiras em vila meã


"a arquitectura rural portuguesa está bem patente nos edifícios que constituem o Hotel.
O edifício do armazém onde se encontra a adega, os lagares e o alambique constituem um "museu do vinho".
A sobriedade está presente em todos os recantos. As imensas salas, os 23 quartos, as zonas de passagem, guardam muitos pormenores da vida anterior desta casa vitivinícola.
Tudo foi pensado em função do conforto daqueles que chegam...
Dentro da tradição os olhares perdem-se nos pormenores desta casa.."
é esta a apresentação que faz o convite a este recanto e que faz jus a este local privilegiado
foi aqui que me deleitei e me rendi

O meu primeiro dia

Acordei a tempo de festejar. Ouvi o telemóvel. Era a filhota. Ah é verdade mãe, há pouco nem lhe disse nada, sabe que dia é hoje? – Não me ocorria nada na altura, e de seguida ela rematou logo; é dia dos avós. Boa, disse radiante. É a minha primeira vez. Bem, é que a mãe amanhã, se pudesse, ia buscar o menino. Claro que sim. Claro que vou. E foi assim que na segunda-feira fui à creche ter com ele entre muitos beijos e abraços e conversas de avós com outros comecei a minha semana e festejei o meu primeiro dia dos avós.

estrelas do mar

em visita, entrei na ondulação do sete mares e dou com o semeador de estrelas. em simbiose perfeita fundem-se e mescla-se, a arte no mural, com a sombra nocturna da estátua do semeador numa visão magistral em que este cumpre a sua tarefa. faz-me assim viajar até à visão desperta pela frase duma pequenina de três ou quatro anos de idade. A miúda que me tira da dormencia das enfadonhas viagens de rotina e me faz olhar através da escotilha. mãe olha tantas estrelas!!!... dou então por mim a contemplar um milhão de estrelas a brincar sobre o azul límpido do mar. apercebi-me que nunca tinha visto antes estrelas de dia. fazia aquele trajecto há pelo menos três décadas e nunca as tinha visto. julgo que nunca mais deixei de as contemplar. agora já não me bastam as dos céus da noite.

mukandas do monte estoril

passei pelas mukandas do monte estoril e foi a primeira vez que ouvi alguém falar dos loengos. depois conto-vos

olhos de lince

estranhamente abracei por serem os olhos do meu filho. olhei-os repetida e demoradamente. quase me revi. são eles. no entanto, o nome não correspondia. abracei-o na mesma afinal. o caderno era interessante. vou-te adoptar. afinal gosto dos teus olhos de lince.

voltamos em fevereiro

apanhanho-me no corpo de deus entre as ruas a admirar e como digo sempre, a saborear momentos, entre paragens e olhares prolongados de prazer, tudo o que me rodeia. o filho não deixa de comentar o facto, o que me leva a perceber a origem de ser sempre turista da minha própria cidade. ele acha no mínimo cómica, a forma de estar e sentir, nas visitas de lugares sempre vistos, com o mesmo espanto de uma primeira vez. reafirmo agora em tom de graça mas séria: não brinques é que eu sou de facto turista, vim de férias e regressarei em Fevereiro. era o espírito que nos envolvia na nossa chegada e em que acreditamos durante anos. o regresso que ainda está por acontecer e já lá vão 35 anos. perguntem à mãe.

a raça é humana

às vezes a turbulência dá-me para passar pelas brasas. é que fico tão moída, que de facto até me faz bem. com os solavancos acabei adormecendo e acordei com dia festivo. feriado mesmo. e a festa por estes lados comemora o poeta grande e as comunidades. antes dizia-se ser pelas raças. mas talvez tenham chegado à conclusão do absurdo que era o plural de um nome que só existe no singular, a raça. é que no planeta em que habitamos só existe uma raça, a raça humana. pelo menos na éspécie a que refere a data comemorativa. aqui não posso deixar de pensar nos meus companheiros angolanos que ainda referenciam este equívoco e no cartão de identidade.