mukandas do monte estoril

passei pelas mukandas do monte estoril e foi a primeira vez que ouvi alguém falar dos loengos. depois conto-vos

olhos de lince

estranhamente abracei por serem os olhos do meu filho. olhei-os repetida e demoradamente. quase me revi. são eles. no entanto, o nome não correspondia. abracei-o na mesma afinal. o caderno era interessante. vou-te adoptar. afinal gosto dos teus olhos de lince.

voltamos em fevereiro

apanhanho-me no corpo de deus entre as ruas a admirar e como digo sempre, a saborear momentos, entre paragens e olhares prolongados de prazer, tudo o que me rodeia. o filho não deixa de comentar o facto, o que me leva a perceber a origem de ser sempre turista da minha própria cidade. ele acha no mínimo cómica, a forma de estar e sentir, nas visitas de lugares sempre vistos, com o mesmo espanto de uma primeira vez. reafirmo agora em tom de graça mas séria: não brinques é que eu sou de facto turista, vim de férias e regressarei em Fevereiro. era o espírito que nos envolvia na nossa chegada e em que acreditamos durante anos. o regresso que ainda está por acontecer e já lá vão 35 anos. perguntem à mãe.

a raça é humana

às vezes a turbulência dá-me para passar pelas brasas. é que fico tão moída, que de facto até me faz bem. com os solavancos acabei adormecendo e acordei com dia festivo. feriado mesmo. e a festa por estes lados comemora o poeta grande e as comunidades. antes dizia-se ser pelas raças. mas talvez tenham chegado à conclusão do absurdo que era o plural de um nome que só existe no singular, a raça. é que no planeta em que habitamos só existe uma raça, a raça humana. pelo menos na éspécie a que refere a data comemorativa. aqui não posso deixar de pensar nos meus companheiros angolanos que ainda referenciam este equívoco e no cartão de identidade.

calundginge

mãe hoje não posso deixar passar. tenho-me lembrado muitas vezes daquela música que só de si e do pai ouvi. a que ouvias em criança ao luar, quando os avós após o jantar faziam o serão lá fora com o cheiro da terra e as crianças a brincar. eras pequena e juntavas-te aos outros iguais, os filhos dos trabalhadores que vigiavam da possível e indesejada visita do rei da mata, o leão, ao mesmo tempo que se faziam acompanhar das mulheres e suas crianças. de cócoras encaixados como uma carreirinha de formigas enchiam o espaço com a lenga-lenga que atacava e sossegava o coração dos mais velhos. e lá estavas mãe, entre risadas cristalinas a partilhar provavelmente a melhor parte do teu dia que partilhaste connosco e com os teus netos e que vou deixar aos meus netos como sempre vocês nos ensinaram:

calundginge, seiá seiá,
solama nhõdukoleté
usandgé ua téka oku... tianwa
usangdé ua teka oku... tianwa

formiga, arrasta-te arrasta-te (e andavam em serpentina a rastejar de rabo em cócoras)
esconde-te só aí que veejo-te...
a lenha partiu ali, .... partiu (trás) e caíam todos para o mesmo lado
a lenha partiu acoli... partiu (trás) e caíam todos para o outro lado

o rodrigo é um leão

sexta feira renovei a alma. a filha presenteou-me com o privilégio do bálsamo que é a voz licorosa doce forte e macia, da ana a encher a sala preto e prata. doze focos enebriavam numa névoa os músicos e a sinfoneta dáva-lhes o colo aconchegante que os fazia sobressair. a ana entrava e saía apresentando e surpreendendo a cada nova ou já conhecida sonoridade ou letra. ficavamos presos e tentados a acompanhar apenas com pequenos movimentos dos lábios pois a nossa voz sufocada nem se atrevia a sair presa pela emoção e momentos de plenitude e mesmo extase. os convidados cumpriram, mais o argentino confesso. lembrou-me o palma que me enche as medidas.
o rodrigo é um verdadeiro leão.
o filhote partilhou comigo esta aventura.
obrigada.

subscrevo uma reflexão matinal calma sobre as europeias

acordei e fastei um pouco a cortina para espreitar a paisagem foi quando dei com esta nova personagem bastante interessante, diga-se. falava no que sublinhava ser, uma reflexão matinal calma sobre as europeias. ouvi-o atentamente. tinha formado uma opinião ontem àcerca dos resultados da aventura. afinal havia quem partilhasse e de forma clara, da minha opinião e mais, que expusesse os meus pensamentos de forma genial. claro que aproveitei e mandei logo a missiva aos companheiros mais próximos.
resultado esclarecedor, a maioria engordou com as fatias gordas da actual minoria vencedora.
a maioria emagreceu perdendo fatias para as pequenas minorias vencedoras. continuamos ricos e mais fortes agora há que não perder o rumo nas próximas estações ou apeadeiros. se calhar nem valerá a pena fazer descer alguns passageiros porque a entrar gente nova ou nova gente nada se acrescentará muito pelo contrário só fragilizará. os novos não terão nem tempo para abrir o farnel.